sábado, 22 de fevereiro de 2014

A Mão Esquerda de Deus







Oi pessoal!
O comentário de hoje é sobre o livro A Mão Esquerda de Deus, de Paul Hoffman.
É amigos... não deve ser fácil ser órfão e se ver trancafiado numa prisão travestida de santuário.
Essa é a moldura do quadro no qual está pintada a história de Thomas Cale.
Num universo fantástico, mas com muitos traços da realidade, Paul Hoffman coloca o herói aos cuidados dos Redentores, algo tipo uma facção religiosa e fanática, que domina pelo medo e pela fé. Eles recrutam, ou melhor, enclausuram crianças e jovem e os treinam para serem guerreiros na guerra contra os Antagonistas – outra facção que, como o próprio nome sugere, lhes antagoniza.
A história começa bem movimentada, já com Cale e seus companheiros – seria demasiado chamá-los de amigos – descobrindo um lugar escondido, que os revela mais sobre a natureza dos Redentores.
Amedrontado, ressabiado e faminto, Cale, aparentemente protegido pelo Redentor Bosco, Lorde da Guerra, é por ele testado a todo instante, sendo que num desses testes, o herói se depara com uma cena repugnante protagonizada pelo Redentor Picarbo, Lorde Disciplinador. Dominado pelo ódio, Cale age sem pensar e realiza algo ao mesmo tempo caracterizado por uma façanha e uma estupidez, que altera em muito o rumo de sua vida e daqueles seus companheiros.
Somente a fuga do local lhes parece uma boa ideia e é o que eles acabam fazendo.
No meio de uma viagem turbulenta, os garotos se deparam com um grupo de pessoas mortas. Visualizam, entretanto, um morimbundo. Na indecisão de terminar o serviço ou resgatar a pessoa, aliados daquele grupo surgem e os meninos se veem presos e sendo encaminhados para Memphis, a capital de um dos maiores impérios do mundo.
Lá, a trama se desenrola ainda mais, revelando segredos dos “guris” e do porquê Cale ser tão estimado por Bosco (do jeito dele, é claro).
Em meio a escaramuças e diversas desavenças, Cale vai mostrando todo seu talento (os outros também, mas em bem menor escala), presunção, rebeldia, ódio e fúria, tornando-se ao mesmo tempo um incômodo indesejado para os governantes e uma peça fundamental para rechaçar os planos dos Redentores, que inclui uma guerra contra Memphis.
O livro termina com o desfecho dessa guerra e traz surpresas para o nosso herói, surpresas essas nada agradáveis, diga-se de passagem.


Paul Hoffman não é o autor que eu já li que melhor descreve cenas; entretanto, nesse ponto, ele é muito bom. Ele é preciso e não se excede, permitindo que a dedução e a imaginação aflorem e preencham eventuais lacunas.
A história é muito boa; o livro prende o leitor desde o início.
Os conflitos internos de Cale e o choque cultural narrado são situações bem abordadas e que me fizeram pensar que isso possa acontecer no nosso país, onde ainda há crianças tratadas como adultos (ou seriam escravos?).
Todavia, acredito que ficaria melhor se Cale fosse um pouco mais velho. É que todas aquelas façanhas, por mais fictícias que sejam, ficariam melhor aos olhos dos leitores se protagonizadas por um jovem-adulto e não por um recém adolescente.
Outro ponto que não curti muito foi sobre a noção que o autor dá sobre o mundo em que ele ambienta a história; ele utiliza alguns nomes reais, mas postos, ao que tudo indica, em outras posições geográficas, o que confunde um pouco. Melhor seria se a obra trouxesse um mapa, como diversas outras fazem...
Além disso, a referência, na descrição da religião dos Redentores, a aspectos reais, retira um pouco do mérito do autor, embora sua intenção com isso pudesse ser inserir algum tipo de crítica... vai saber!
Quero registrar que esses pontos negativos são obliterados pela qualidade do enredo em si, que traz uma história dinâmica e com personagens marcantes, como Arbel, Vipond, IdrisPukke, Henri Embromador e Kleist.
Aaahh, para aqueles que gostam, o livro tem até uma (boa) dose de romance.
Por tudo isso, entendo que uma nota 8,5 seja merecida (realmente o enredo é bom!).
Era isso, por hoje. Um grande abraço!

                     
                                                                                                                                          

Páginas: 328.
Editora: Suma de Letras.               

Um comentário:

  1. Não estava com vontade de ler este livro mas pela nota e a resenha ele parece ser bom

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