sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Cartas Para Cabeceira

          É com muita alegria que venho informar nosso novo tópico "Cartas Para Cabeceira". Sim! Isso significa que recebemos nosso primeiro livro para resenha de um autor nacional chamado Daniel Rossi. Ele escreveu o livro Eternidade S.A.


                                                        
                                                                           Daniel Rossi


"Segredos guardados através de toda a história da humanidade vêm à tona nesta eletrizante trama sobrenatural, trazendo vampiros e lobisomens para o mundo implacável das grandes corporações".





Book Trailer







                                       
EM BREVE RESENHA!!!


Alana Arrieche

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Hora Aleatória 3

     Oi, pessoal, tudo bem? Não esperava fazer outro post na hora aleatória tão cedo, mas tenho certeza de que vocês irão entender o porquê de não esperar...


"Ado-a- ado, cada um no seu quadrado".

   Hoje, entendo.
   Entendo meus amigos ateus que por muitas vezes criticaram abertamente aquele grupo.
  "Eles não respeitam ninguém, só querem impor sua crença", eles diziam (entre outras coisas, que descabem sejam abordadas nesse espaço).
   Infelizmente, para mim e umas vinte, trinta pessoas, estavam certos.
   Tive a prova disso numa viagem entre São José do Norte e Rio Grande, feita por lancha em aproximadamente trinta minutos (fora o período para zarpar e atracar).
   Durante esse tempo, nós experimentamos - ironicamente causado por um grupo cristão - um "inferno".
   Não houve rios de lava, mas nós fomos os agonizantes.
   Agonizamos com a imposição por eles de seu credo.
   Recém saídos de um culto, tomaram conta da lancha e continuaram sua reza.
   Havia cornetas, muitas delas. Pandeiros. E vozes. Inúmeras. Incontáveis gargantas gritando repetidamente contra o mal, invocando reiteradamente Cristo e esquecendo-se sempre que esse mesmo Cristo pregava o respeito.  Esquecendo-se que muitos voltavam para suas casas depois de um dia extenuante de trabalho e queriam simplesmente serem deixados quietos. Esquecendo-se que muitos professavam outra fé. Esquecendo-se que, sem entrar em minúcia jurídica, o direito deles termina onde inicia o do próximo que eles ululavam amar tanto.
  Eles dançaram, pularam, caíram em passageiros, acotovelaram e cutucaram as cabeças dos usuários do serviço, trombaram com quem estava em pé e contradisseram-se ao pregar o amor e fazerem com que todos os que não faziam parte daquele grupo os odiasse (pelo menos durante a travessia).
  Ah... não estou exagerando. Era ódio mesmo. Momentâneo, mas era. Nós, os diferentes, olhávamos-nos  a todo instante, cada um com uma cara mais furiosa. Certo que alguns simplesmente se levantaram e foram para a parte descoberta da lancha, enfrentando o frio de depois das 22h do início da primavera gaúcha (hoje o vento soprou forte, diga-se de passagem), mas não sem baixar a cabeça e sacudi-la freneticamente para os lados durante o caminho. Outros, como eu, indagaram. Mas não adiantou nada. Eles falaram que respeitavam todo mundo, desculparam-se por qualquer coisa e continuaram com a imposição de seu culto. Teve um que até empurrão deu, mas o dançarino ignorou e se chocou contra ele outras vezes.
   Por isso, hoje entendo meus amigos. Da pior forma possível, é verdade, mas os entendo. Espero que não os entenda perfeitamente, pois assim o for minha esperança de que aquele seja um grupo isolado e que não represente todos daquela fé irá por água abaixo... e sem essa esperança, perderei o respeito... e sem respeito, irei me assemelhar àqueles baderneiros... e, honestamente, não quero ser assim, porque sem respeito, está tudo perdido.